
Piso nacional para profissionais de apoio da educação básica poderá custar R$ 20,1 bilhões aos Municípios, alerta CNM
A proposta de estabelecer um piso salarial nacional para profissionais da educação básica pública que trabalham em funções administrativas, técnicas ou operacionais sem qualquer fonte de custeio pode custar R$ 20,1 bilhões por ano se entrar em vigor, de acordo com cálculos da Confederação Nacional de Municípios (CNM). O texto aprovado em votação simbólica pela Comissão de Educação do Senado nesta terça-feira, 3 de novembro, amplia a abrangência do piso para 960 mil ocupações. A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e segue para análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Projeto de Lei nº 2.531/2021: valor do piso salarial e profissionais abrangidos
De acordo com o PL 2531/2021, o valor do piso será de 75% do piso salarial dos profissionais do magistério público da educação básica, cerca de R$ 3.847 para jornada de 40 horas semanais. A nova regra valeria para os profissionais com formação em nível médio.
Principais informações sobre a proposta:
- Projeto de Lei: PL nº 2.531/2021.
- Impacto financeiro estimado pela CNM: R$ 20,1 bilhões por ano.
- Abrangência informada: 960 mil ocupações.
- Valor proposto: 75% do piso salarial nacional do magistério público da educação básica, aproximadamente R$ 3.847.
- Jornada de referência: 40 horas semanais.
- Tramitação: aprovado pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Educação do Senado, seguindo para análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Senado debate impacto financeiro e financiamento do novo piso
Na reunião desta terça, o senador Esperidião Amin (PP-SC) concordou com o mérito da proposta, mas chamou atenção para a necessidade de uma análise mais responsável do impacto financeiro. “O gesto de bondade, generosidade ou de justiça quando não está fundado em meios materiais compatíveis vira um tumultuador de gestões”, alertou. Ele agradeceu a manifestação da CNM, assim como citou preocupações de prefeitos do seu Estado com a medida, e questionou se o novo piso estaria contemplado nos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Responsabilidade fiscal e preocupação com as finanças municipais
A Confederação se mostra extremamente preocupada diante do avanço de mais uma pauta-bomba, que agrava a situação fiscal já debilitada dos Municípios. Em diversas oportunidades, a entidade manifestou preocupação com a falta de apoio às prefeituras para que possam custear o piso em caso de aprovação da medida.
Em audiência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara em 2025, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, mostrou aos parlamentares que a cada dez profissionais da educação básica, seis são vinculados aos Municípios e que um levantamento feito pela entidade em 2024 mostrou que mais da metade das prefeituras fecharam as contas no vermelho, sendo a falta de apoio e a insuficiência de recursos para o pagamento dos pisos um dos motivos das dificuldades. Na oportunidade, a CNM também sugeriu que a União participe do financiamento, a exemplo do que ocorre com o piso da enfermagem, para não sobrecarregar as prefeituras.
CNM destaca necessidade de previsão de custeio para novas despesas obrigatórias
A CNM lembra ao Congresso Nacional a importância da previsão de custeio de novas despesas, em acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, assim como com as emendas constitucionais 128/2022, que impede criar ou aumentar despesas obrigatórias para Estados, Distrito Federal e Municípios sem indicar a respectiva fonte de custeio ou previsão orçamentária; e a 95/2016, de acordo com a qual toda proposição legislativa que crie ou altere despesa obrigatória ou renúncia de receita deve ser acompanhada do cálculo do impacto orçamentário e financeiro.
Fonte: Confederação Nacional de Municípios – CNM.
Acessado no dia 04 de novembro de 2026.

